1656
9 de Fevereiro — André Vidal de Negreiros, o governa- dor do Maranhão, avisa a El-Rei que o capitão Domin- gos de Så Barbosa, indo de proximo de Pernambuco para o Ceará, informara que o principal Algodão havia se levantado com toda sua gente e vindo para a parte do Rio da Cruz a que os indios chamam Camussi.
DO INSTITUTO DO CEARA'
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Nessa mesma occasião communica André Vidal que como meio de conter aquelle e outros chefes indigenas e para segurança da navegação da costa construira um forte no dito Rio da Cruz, onde os Hollandezes já ti nham tido um outro, sem despendio algum da fazenda real, artilhara-o com quatro peças de seis libras e guar- necera-o com 25 soldados e um ajudante por cabo.
31 de Maio Sahem do Maranhão para a missão dos tobajaras da Ibiapaba os jezuitas Antonio Ribeiro e Pedro de Pedrosa, enviados pelo padre Antonio Vieira.
O padre Pedro Barbosa de Pedrosa, filho de Pedró Alvares de Pedrosa e natural de Coimbrão, termo de Lei- ria,serviu de missionario e visitador geral da Missão do Maranhão desde 656 até 684.
Foi elle o primeiro Portuguez que penetron o certão dos indios Tacanhapes navegando o rio dos Ju- ruinas na Capitania do Pará e quem abriu por terra caminho para communicação do Estado do Maranhão com o Ceará,
4 de Julho Chegam à serra da Ibiapaba os padres. Antouio Ribeiro e Pedro de Pedrosa.
8 de Julho Parecer do Conselho Ultramarino appro- vando a proposta de André Vidal de Negreiros para a construcção no Ceará de um forte de pedra e cal ou de madeira,conservando-se e reparando-se do melhor mo- do o jà existente, tudo de accordo com as requisições de Alvaro de Azevedo Barreto e Domingos de Sà Bar- bosa, capitães-governadores do Ceará
8 de Julho O Conselho Ultramarino recommenda a El-Rei que em virtude das noticias chegadas a Lisboa e de accordo com o que requisitara André Vidal de Ne- greiros ordene que de Pernambuco vão os soccorros de que carecer o Ceará emquanto Maranhão por falta de cabedal não puder fornecel-os.
Esse parecer do Conselho foi approvado por El-Rei em data de 13 de Julho de 1656.
Pode-se, portanto, datar desse tempo a separação do Ceará do governo do Maranhão. Não ha carta regia de tal ou tal data determinando queo Ceará ficasse separa-
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REVISTA TRIMENSAL
do do Maranhão, o que houve é o que fica aqui resumi- do. Impossibilitado o governo do Maranhão de soccor- rer o Ceará, que estava sob'sua jurisdicção, decidiu El- Rei a 13 de Julho de 1656 que o soccorro lhe fosse ministrado daquella data em diante por Pernambuco, praça muito mais forte e rica e de mais recursos.
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13 de Julho Despacho regio mandando agradecer a André Vidal a construcção do forte do Rio da Cruz e o aviso que mandon a Francisco Barreto sobre fazer-se o provimento e soccorro do Ceará por Pernambuco em vista do estado precario do Maranhão.
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27 de Julho Cartas regias a André Vidal, governa- dor do Maranhão, e Francisco Barreto, de Pernambuco, avisando-os de que por falta de rendas e por outros res- peitos da navegação cessava o Maranhão de soccorrer no Ceará passando esse encargo para Pernambuco, que deveria soccorrel-o com mautimentos e o que fosse necessario á sua conservação e à segurança dos navios, que navegam por aquella costa.
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