1717
8 DE FEVEREIRO—O juiz ordinario da villa de S. José de Riba-mar, coronel Zacarias Vidal Pereira, em virtude de um accordo dos officiaes da camara faz processar o procurador Pedro de Barros da Camara, natural de S. Antonio do Cabɔ, Pernambuco, por crime de desobediencias.
Ao rẻo serviram de advogados os licenciados Mathias de Farias Lobo e Jorge da Silva.
Por embargos de sentença foi nullo todo o processo e man- dado soltar o accusado em 11 de Julho de 1729,segundo des- pacho do juiz ordinaric, sargento-mór Domingos Carneiro Pereira
25 de FevereIRO-E' dessa data uma carta do senado da camara do Aquiraz ao capítão-mór Manoel da Fonseca Jayme reclamando a prisão de Manoel da Silva Araujo, Belchior Lopes e Diogo Rodrigues que para escapar a justiça, pelos crimes que tinham commettido, haviam sentado praça.
2 DE MARÇO-Havendo-se proposto á successão de Manocl da Fonseca Jayme na Capitania do Ceará Salvador Alvares da Silva, Simão Moreira de Sousa, Manoel Martins Brandã”, João Monteiro de Carvalho e Luiz de Ferreira Freire, o Conse- lhɔ de Ultramar apresenta á escolha real o primeiro candi- dato.
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5 DE MARÇO Provisão por que S. M. houve por bom que a Camara de Olinda pagasse pelos effeitos, que administra, a Francisco Duarte de Vasconcellos o que elle despendera com o sustento da infantaria do presidio do Ceará
9 de Abril-Escolha de Salvador Alvares da Silva para capitão mór do Ceará.
22 de Abril-E' dessa data uma longa representação da camara do Aquiraz ao governador de Pernambuco contra o
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capitão-mór Manoel da Fonseca Jayme c o padre João de Mattos Serra.
23 DE ABRIL-Representação da camara do Aquiraz aos Senhores do governo do bispado contra o vigario João de Mattos Serra quc á reclamação feita para vir residir naquelle sitio respondeu-lhe que parecia ridiculo andarem as re- liquias sagradas atrás do pelourinho, e nega-se a vir parochial-os,
23 DE ABRIL - Patente de nomeação de Salvador Alvares da Silva para capitão-mór da capitania do Ceará.
27 DE ABRIL-Provisão regia para que Salvador Alvares da Silva, nomeado para capitão-mór do Cewá, vença soldo desde o dia em que embarcar em Lisboa,
26 DE JUNHO-Carta do Governador de Pernambuco, D. Lourenço d'Albuquerque d'Almeida, com censuras á Cama- ra da villa do Aquiraz. E' concebida nos seguintes termos:
<< Recebi a carta de Vines. e vejo que segunda vez se me queixão do cap.m-mór do Ceará, e confessoa Vmes, que têm razão, mas é por que elle os não tem prezos a Vmes. em ferros, e remette-m'os para os mandar para Benguela, porque o máo procedimento com que Vmes. tem servido ainda merece maior castigo.
Vejo o que Vmcs, me dizem que o cap.m-mór nomenu escrivão da Camara sem fazer caso de Vmc. para nomearem, e só por este ridiculo requerimento que V.mcs. fazem for- mando disso uma grande queixa, merecião Vmes. ser muito bem castigados, com se lhes metter em cabeça que a Ca- mara tem jurisdicção para nomear escrivão, como tambem a não tem para tomar conhecimento de quem são serven- tuarios dos officios; porém como Vmcs, só estudão em crear gados, não é muito que saibão o que El-Rei nosso Senhor determina pela sua lei.
Pelo que toca á Vmcs. não admittirem soldados á escrivão da Camara tomára saber qual é a lei em que Vmes, se fun- dão; que um soldado assim como é capaz de ser general, assim tambem é merecedor de ser escrivão da Camara de Lisboa, quanto mais da do Ceará, como n'elle tem servido escrivães da Camara curraleiros de gado. não fica com prejuizo nenhum de que um soldado seja escrivão.
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Vmes. tratem de proceder bem e tenham entendido que aquello que me quizer alterar a Capitania e andar amotinando seus moradores com essas insolentes queixas, fazendo par- parcia'idades com um cap".-mor, posto por El-Rei nosso Senhor hei de mandal-o vir prezo, e depois de muito benz tratado o hei de degradar para Benguela. Deus G. a Vmes
muntos annos.
Pernambuco, 25 de Junho de 1717 annos.
D. Lourenço d'Alméida, »
28 DE JUNHOO Cabido de Pernambuco em resposta ás reclamação dos camaristas do Aquiraz aconselha-os a que recorram a S. Magestade no assumpto da mudança da Egreja matriz assim como haviam feito para a mudança da villa, e avisa-os que ordenára a ida para o Aquiraz do coad- juctor do Rd. Vigario com todos os poderes menos o de administrar o sacramento do matrimonio, que é da autorida- de do vigario.
22 DE OUTUBRO-Provisão passada por Lourenço de Al- meida a Mathias de Faria Lobo para advogar nos auditorios de Ceará.
27 DE NOVEMBRO-- Provisão passada por Manoel da Fon-- seca Jayme a Lobo de Barros Rego para advogar nos audi- torios do Ceará.
28 DE NOVEMBRO-José Soares de Sousa pede por data de sesmaria a legua de terra concedida por El-Rei aos in- dios Jaguaribaras e demarcada pelo Dezembargador Soares Reymão (Aquiraz).
28 DE DEZEMBRO -Provisão de escrivão de orphãos da villa de S. José Riba-mar passada por Manoel da Fonseca Jayme ao capitão Lourenço Rodrigues de Carvalho por de- xação feita pelo Tenente Manoel de Araujo.
30 DE DEZEMBRO-A Camara do Aquiraz agradece a El- Rei ter mandado transferir-se para aquelle sitio a villa de S. José de Ribamar, que se achava com muitos inconve- nientes circumvesinha a fortaleza desta capitania de N. S. d'Assumpçãs.
30 DE DEZEMBRO-A camara do Aquiraz pede a El-Rei que faça effectiva a vinda paro aquelle logar do vigario João de
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Mattos Serra com 03 respectivos ornamentos, imagens e con- frarias e pode egualmente uma esmola por serviço de Deus.
30 DE DEZEMBRO-A camara do Aquiraz queixa-se a El- Rei da má companhia que lhe tem feito o capitam-mór Mane! da Fonseca Jaime pois todo o seu cuidado e desvelo e fundamento do seu governo é somente desau- torisar ao senado prendendo veriadores, almotaceis e juises' impedindo e acabando os meios a justiça e ang- mento de v3, e assim a atemorisa e intimida com o seu poder.
30 de Dezembro-A Camara do Aquiraz requer á Rainha cao Infante Francisco Xavier uma esmola de um ornamento, uma custodia, uma lampada e um sino.
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30 DE DEZEMBRO-O Senado da Camara do Aquiraz pas- sa procuração a André Lopes Laure, Rdo. Deão e ao Coronel Zacharias Vital Pereira para perante S. Magestade e seus ministros requererem o que för de direito e de justiça a bem da capitania e seus moradores e a bem e augmento da villa. N'este anno foi juiz ordinario de Forraleza Francisco de Sá.
Neste anno chega á aldeia de Areocatamerim dos indios Tremembés o Capitão Pedro Roiz que fora mandado por D. Lourenço de Almeida ao rio Taypu a descubrir ouro, sendo hospedado pelo Pe. José Borges de Novacs.
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