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4 DE FEVEREIRO-Cartas regias ao governador de Per- nambuco e ao capitão-mór do Ceará, sobre o provimento de officios e patentes pelos capitães-mores do Ceará e Rio Grande.
13 DE FEVEREIRO-O governador de Pernambuco, Felix José Machado, transmite a Duarte de Vasconcellos a carta regia de 31 de Janeiro de 1711 relativa á transferencia da villa de S. José de Ribamar.
28 DE MARÇO-Ordem R. mandando, entre outras cousas, que o bispo D. Manoel Alvares da Costa saia da cidade de Olinda e vá desterrado para o Ceará, como castigo á parte que tomou nos movimentos de Pernambuco.
Obispo obteve por favor que em vez de ir para o Ceará scaffastasse 100 leguas de cidade de Olinda e escolheu então ir para o Rio de S. Francisco, o que fez a 18 de Junho, le- vando em sua companhia entre outros o Oratoriano Antonio Martins.
28 DE ABRIL-Felix José Machado ordena a Duarte de Vasconcellos que faça uma relação de todos os officiaes de guerra e fazenda, residentes na capitania para ser remettida á Sua Magestade.
30 DE MAIO-Havendo-se proposto á successão de Fran- cisco Duarte de Vasconcellos na Capitania do Ceará Manocl da Fonseca Jayme, Placido de Azevedo Falcão, Diogo Pe- reira de Mendonça, Antonio Vieira e João da Costa Silva o Conselho de Ultramar pesando os serviços dos respectivos candidatos apresenta á escolha real o nome de Manoel da Fonseca,
30 DE MAIO-Felix José Machado determina ao capitão- mor do Ceará que execute a ordem regia de 19 de Dezem- bro de 1712 sobre a ida de 400 indios do Ceará ao Maranhão.
9 DE JUNHO-Portaria de Felix José Machado ao juiz or- dinario da villa S. José de Riba-mar do Cearà mandando tirar summario de testemunhas contra o vigario João de Mattos Serra,
19 DE JUNHO-Carta do governador de Pernambuco au
DO INSTITUTO DO CFARA'.
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juiz ordinario da villa de S. José de Riba-mar contrariando a portaria de 9 de Junho.
26 DE JUNIO - Escolha de Manoel da Fonseca Jayme para capitão-mór do Ceará.
Era capitão de infantaria na praça de Olinda.
Bernardo de Oliveira Pinto, filho de Manoel da Fonseca e sua mulher D. Maria do Carmo de Proença, capitão de in- fantaria do Regimento de Olinda, foi o marido de D. Jerony- ma de Albuquerque e, portanto, cunhado de Pedro de Albu- querque Mello, o capitão-mór e governador do Rio Grande do Norte.
27 DE JUNHO-Transfere-se para o Aquiraz a séde da villa de S. José de Riba-mar, que estava então na Fortaleza.
17 DE JULHO-Resolução Regia em consulta do Conselho de Ultramar mandando dar de ajuda de custo a Manoel da Fonseca Jayme a quantia de 100$.
18 DE AGOSTO-Os indios Jagoaribaras, Anassés, Paiacús e outros assaltam a villa do Aquiraz, fazendo grande mortan- dade nos habitantes,
24 DE OUTUBRO-Provisão passada ao Ldo. Manoel de Araujo Ferreira, por haver falta de letrados, para advogar nos auditorios do Ceará.
27 DE NOVEMBRO-E d'essa data uma portaria de Felix José Machado ao capitão-mór Placido de Azevedo Falcão ordenando a arrecadação dos fóros das doações de terra, a requerimento de João do Rego Barros, provedor da fazen- da real de Pernambuco.
Placido de Azevedo Falcão, filho de Sebastião Falcão, era natural de Pernambuco.
Neste anno João de Barros Braga derrotou junto ao rio Choró os indios levantados depois de um dia de encar- niçado combate.
Neste anno foram juizes ordinarios da Fortaleza Manoel Gonçalves de Souza e Gregorio de Brito Freire.
1713
13 DE FEVEREIRO. Ordem do governador de Per- nambuco, mandando que se múde para o sitio Aquiraz a séde da villa de S. José de Riba-mar, declarando que S. magestade, melhor informado da capacidade do sitio assim lhe tinha ordenado, por carta de 30 de Jatisiro
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de 1711, sem embargo de estar o Aquiraz a 6 leguas da Fortaleza; pois que ficava na estrada para diversas povoações, com rio navegavel, chamado Pacoty, em dis- tancia de 2 legoas do mar, onde estava o presidio do Iguape, com boa enseada para barcos, sustento de carne o farinha; o que não se achava junto á fortaleza d'As- sumpção.
Não approuve ao capitão- mór essa transferencia, e apresentando-se-lhe o vigario com .40 das principaes pessoas do logar, pedindo a suspensão da ordem, a isto annuio, participando ao governador de Pernambuco. Este,. porem, mandou cumprir imunediatamente a ordem regia, è autorisou a camara a empregar a força, caso preten- dessem impedir a execução d'ella, ordenando ao capitão- mór que lhe prestasse todo auxilio.
27 DE JULHO Transferencia effectiva da séde da valla para o sitio Aquiraz, conforme o acto de instal- lação existente nos archivos da provincia.
O capitão Antonio Vieira da Silva, na ausencia do capitão-mór que se achava no Jaguaribe, ao tempo, em que chegava a segunda ordem, foi com a camara effec- luar essa transferencia, que redusio a Fortaleza a méro presidio, e residencia dos capitães-móres,
18 DE AGOSTO. Rebellião dos annasés. Estes sel- vagens, que, ha muitos annos, viviam aldeiados nas pro- ximidades do Aquiraz, animados pela resistencia dos demais no interior da capitania, e insoffridos dos máos tratos que recebião dos brancos, uniram-se com outras tribus, e accommetteram a villa. Os habitantes procu- raram abrigar-se na Fortaleza: mas em viagem, à vista de Paupina, foram alcançados polos selvagens, que lhes mataram cerca de 200 pessoas, entre homens, mulheres e creanças. O governador Duarte, reunindo um conselho de officiaés da camara o cabos de guerra, mandou hos- tilisar os indios, affixando baudos nas portas das ogrejas, declarando a campanha livre de quintos, e nomeou cabo geral para a guerra a João de Barros Braga, coronel de cavallaria do Jaguaribe, que tinha vindo d'alli em soccorro da Fortaleza, com 200 homens a cavallo e 39
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indios a pé. Barros Braga fez horrorosa matanya. Tendo prendido a cerca de 400 indios, matou, destes, 95 por teiner que se revoltassem, isto, afóra as victimas ante- riores. O resto captivon em quanto Paschoal Corrêa Vi- eira, capitão do seu regimento, captivava em Banabuiú 125. Nessas matanças tomou parte o sargento-mór Do- ningos Ribeiro.
30 DE SETEMBRO. Por portaria desta data, do go- vernador de Pernambuco, dirigida á camara, foi mandado depôr o capitão mór Francisco Duarte de Vasconcellos, devendo entregar a capitania ao capitão Placido de Aze- vedo Falcão.
8 DE OUTUBRO. Segundo a sua participação á ca- mara, Placido chega á capitania. e entra em exercicio. Este official tinha servido na guerra dos mascates, foi batido pelos rebeldes, e capitulára.
O capitão-mór Duarte, infenso á mudança da villa para o Aquiraz, tambem se tinha posto em luta com a camara, por que, tendo-se procedido á eleição para o novo quatriennio, quiz obrigar os antigos vereadores a deixarem o exercicio desde logo. e antes mesmo de se- rem expedidas as cartas de avança aos eleitos; irregn- laridade, á que ellos se opposeraui, representando ao go- vernador de Fernambuco.
O capitão-mór Placido trouxe provisão de polvora o chumbo, e alguma gente para substituir a que fasia. a guarnição; isto, ew consequencia da situação deses- perada, em que estava a capitania, Já desde os fins de Se- tembro, uma força de 500 hemens havia salido do pre- sidio em segumento dos invasores do Aquiraz, sob o cominando do capitão Antonio Vieira da Silva, que re- gressou em Novembro. sem ter feito mais que afugental- os, matando-lhes 28 pessoas. Quando chegou essa tropa, já outra, formada pela gente da ribeira do Jaguaribe, seguia no encalço daquelles selvagens.
Placido quiz obrigar Barros Braga a restituir os quintos dos captivos. Era costume vendel-os em hasta publica: uma partida de 15 indios de Pernambuco ven- deo-se alli por 1288000 réis,
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Tambem neste anno, os arerius levantaram-se con- tra os moradores do Acaracú, os quaes com o missio- nario se forão abrigar na Ibiapaba, onde os tabajaras se conservavão fieis sob a direçção do missionario jesuíta Ascenso Gago.
Neste anno, prentendem alguns, fôra ercada a fro- guezia do Aquiraz, ou se desmembrára della a da For- taleza. E' certo, no entanto, que já existia," a esse tempo, um vigario da vara em Jaguaribe.
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